Acusado de assassinar a própria mãe, Heliane Santana Moraes Moreira, de 50 anos, em Piúma, no litoral sul do Estado, o lutador de MMA Gabriel Moraes Moreira, de 26 anos, confessou ter cometido o crime porque é dependente químico e não aguentava mais as cobranças feitas pela vítima para que largasse as drogas. Gabriel foi preso nesta quarta-feira (23), após a polícia encontrar o corpo de Heliane enterrado em uma praia do município.

De acordo com o delegado Geraldo Pessanha, da Delegacia de Piúma, responsável pelo caso, o acusado contou, em depoimento, todos os detalhes do crime. O rapaz, que também é estudante de Educação Física, admitiu que matou a mãe estrangulada há 23 dias.

Ainda segundo o delegado, cerca de dez minutos depois do crime, Gabriel decapitou a vítima e arrancou os olhos dela. Em seguida, colocou a cabeça da mãe em um balde e seguiu em direção ao mar, onde jogou os olhos. Já o corpo de Heliane foi enrolado em um edredom e enterrado na Praia Maria Neném, em Piúma, onde foi encontrado nesta quarta.

De acordo com Geraldo Pessanha, a polícia desconfiou da participação de Gabriel no crime por ele ter sido a única pessoa que estava com a vítima no momento em que ela desapareceu. Além disso, a Polícia Científica conseguiu detectar sinais de sangue no local onde Heliane foi assassinada, apesar de o suspeito tê-lo limpado após o crime. A partir do exame de DNA, foi constatado que o sangue pertencia à vítima e, a partir daí, a polícia passou a acompanhar o suspeito.

A família é de Vitória e se mudou para Piúma para que Gabriel fosse internado em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos, a Nova Aliança. Envolvida com o tratamento do filho, Heliane resolveu ajudar outras famílias que viviam o mesmo drama e começou a trabalhar como voluntária na Casa Reviver, outra clínica de reabilitação do município.

Gabriel, no entanto, não estava conseguindo se livrar do vício nas drogas, o que teria gerado as cobranças por parte da mãe, que fazia de tudo para ajudar o filho. Incomodado com a situação, o rapaz decidiu matar a mãe e esconder o corpo dela.

O próprio lutador foi quem levou os policiais até o local onde a vítima foi enterrada. Ele foi autuado por homicídio qualificado e encaminhado para o presídio.

DesaparecimentoHeliane estava desaparecida desde a noite do dia 29 de agosto, após sair de casa para ir a uma igreja evangélica. Segundo a irmã da vítima, Helena Ribeiro, Heliane teria sido vista pela última vez por uma vizinha, indo para a igreja Maranata que costumava frequentar.

Helena contou também que conversou com a irmã pela última vez pouco antes dela sumir. “Ela me ligou e perguntou se eu estava com saudades dela, que ela viria a um aniversário no domingo, e que passaria em Vila Velha para me dar um beijo”, disse.

A irmã da vítima disse ainda que Heliane fazia tratamento com um psicólogo, mas estava bem, não tinha problemas em casa, vivia um casamento feliz e era voluntária em uma clinica para dependentes químicos.

Redação Folha Vitória