Pretenso evangélico confessou ter mantido conversa pornográfica com menina de 11 anos. O pai da vitima viu diálogo e o denunciou à PC 

Daniel de Lima da Silva, de 28 anos, que se apresenta como pastor de uma igreja evangélica, confessou, em depoimento prestado na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil na tarde de quinta-feira (27), ter mantido conversas pornográficas com uma criança de 11 anos. Segundo a delegada Simone Felinto, diretora da Seccional, ele está sendo investigado no município de Xinguara, a 213 quilômetros de Marabá, desde que o pai da criança encontrou, no aplicativo “WhatsApp” instalado no aparelho celular dela, conversas suspeitas.

O pai da vítima, que atualmente tem 12 anos, comunicou em boletim de ocorrência que costuma checar o celular da criança por uma questão de segurança e, nesta semana, encontrou os diálogos entre Daniel e a filha, tratando de assuntos pornográficos. De acordo com a conversa visualizada pelo pai, o homem estaria instigando a menor a conversar sobre assuntos relacionados a sexo e também a induzindo a enviar fotos sem roupa e dos órgãos genitais.

Em uma das conversas, Daniel teria pedido diretamente para que a menina enviasse fotos com poses sensuais e que ela abrisse a perna antes de tirar as fotos. Em outro trecho da conversa, conforme o pai, o suspeito teria elogiado as partes íntimas da menina. Também foram constatadas pelos responsáveis conversas em que ele ameaçava a criança, afirmando que se ela não enviasse mais fotos iria contar sobre as que já haviam sido enviadas para a mãe dela.

Diante da situação, o pai da menina procurou por Daniel em redes sociais e, no Facebook, descobriu que ele atuava como pastor no Maranhão e que havia sido transferido recentemente para Xinguara, onde está residindo. A delegada informou que a equipe responsável pela investigação, ao descobrir que Daniel estava em Marabá, solicitou que fosse colhido o depoimento do suspeito, que assinou a um termo circunstanciado de ocorrência por importunação ofensiva ao pudor e foi posteriormente liberado.

No momento em que foi abordado, as conversas e fotos não foram encontradas no aparelho celular, o que impediu uma prisão em flagrante. O telefone foi apreendido e encaminhado ao Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”, onde será analisado. A Polícia Civil acredita que ele tenha apagado as imagens e também que possa haver outras vítimas do pastor.

VERSÃO

O CORREIO teve acesso ao depoimento assinado por Daniel, em que ele informou ser pastor há 12 anos e assumiu conhecer a menor. Ele informou que a encontrou pela primeira vez na própria igreja em que prega e que não sabe a idade dela, porém tem conhecimento de que ela é criança. Ele afirmou, ainda, que a procurou no Facebook porque tinha interesse em um serviço prestado pela mãe dela e, posteriormente, a adicionou no WhatsApp.

Quando os policiais questionaram como os assuntos pornográficos começaram, ele respondeu que em certa ocasião a criança teria afirmado que já havia mandado fotos nas quais aparece despida para um ex-namorado. Após isso, diz ele, ela mandou uma foto de biquíni e outra nua, nas quais não mostra o rosto, para o pastor.  Ele confessou que pediu uma foto específica para ela, afirmando que a menina deveria abrir as pernas e fazer a imagem de baixo par cima para que a foto ficasse “bem tirada”.

O pastor assumiu, ainda, que em uma das conversas perguntou à criança se ela teria coragem de “fazer amor” com ele, mas a menina não teria respondido. Os policiais questionaram, ainda, se Daniel já havia mantido esse tipo de contato com outros menores, mas ele negou. O depoimento agora será anexado ao procedimento policial instaurado em Xinguara, onde é aguardado também o resultado do laudo pericial do aparelho celular.

Fonte: Luciana Marschall / CTOnLine