A Polícia Civil trata como suicídio a morte da médica pediatra Nilza Rios Capuchinho, de 30 anos, que estava morando havia aproximadamente 20 dias em Marabá, vinda do Estado de Goiás. Ela caiu da sacada do apartamento onde morava na Rua Belém, Bairro Belo Horizonte, no final da tarde de domingo (11).

Conforme informações do delegado Alexandre Campos, plantonista na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, o porteiro do prédio, já ouvido em depoimento, informou que estava na portaria quando ouviu gritos de socorro e viu a médica pendurada na sacada, já quase caindo. “Ela estava tentando voltar para apartamento e ele subiu as escadas correndo, arrombando a porta que estava trancada”.

Ainda de acordo com o delegado, quando o porteiro conseguiu entrar, a mulher já havia caído e estava morta. “Infelizmente ela não aguentou mais o peso do próprio corpo e caiu no chão. O porteiro nos informou, ainda, que vasculhou o apartamento e não encontrou ninguém, apenas o bebê dela, de seis meses”.

Mais tarde, quando a Polícia Civil chegou ao local, foi encontrada uma carta de despedida da médica. O documento foi apreendido e o conteúdo não foi divulgado. No apartamento, localizado no quinto andar do prédio, havia, ainda, duas garrafas de uísque, uma vazia e outra pela metade. “Tinha uísque na mamadeira da criança”, observou Campos.

Em contato com a psiquiatra que acompanhava a vítima, o delegado foi informado de que ela estava sofrendo de depressão pós-parto. Além disso, a mãe da médica informou também em depoimento que ela apresentava surtos desde a morte do pai, há aproximadamente três anos. “A mãe da vítima estava há uns 15 dias ajudando ela a procurar uma babá para a criança. Depois que achou a babá ela ia embora e tinha saído do apartamento pela manhã”.

Em conversa com testemunhas, ainda no local da tragédia, a Reportagem foi informada de que pessoas haviam presenciado uma discussão entre a vítima e outra mulher pela manhã. A Polícia Civil não confirmou o fato e nem informou se tratava-se da mãe da médica.

“A gente acredita que ela realmente tenha tentado se matar, mas quando olhou pra baixo bateu o medo e a frustração de estar deixando o filho e tentou voltar, mas não conseguiu. Essa é a nossa principal linha de investigação. Com a morte do pai, ela já vinha apresentando surtos, o que se agravou com o nascimento do filho”, finalizou o delegado. O caso será tramitado para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

O corpo da médica foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Marabá, onde o exame necroscópico apontou que a morte foi causada pelo golpe da caixa torácica. A criança foi entregue pelo Conselho Tutelar para o pai da criança, que não era casado com Nilza e mora em um município circunvizinho.(Luciana Marschall –  CORREIO DO TOCANTINS)