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Parauapebas: Investigação será expandida. Documentos apreendidos apontam para outros crimes

Medrado diz que documentos apreendidos em Parauapebas apontam para outros crimes. Investigação será expandida

 A operação Filisteu do Ministério Público do Estado (MPPA) numa ação conjunta do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e a corrupção (NCIC) coordenado pelo Procurador de Justiça Cível Nelson Pereira Medrado e a promotoria de Justiça de Parauapebas, na pessoa do promotor de Justiça Hélio Rubens desencadeou mandados de busca e apreensões em Parauapebas sudeste do Pará, na última terça-feira, 26.

Chegou à Belém na manhã desta quinta-feira, 28, conduzindo sob prisão, o vereador Odilon Rocha. As investigações que duraram meses culminaram com a ação direta do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado, desmontando assim esquema multimilionário contra o erário.

f_Procurador de Justiça Nelson Pereira MedradoO procurador Nelson Medrado rememorou os caminhos desta grande operação. “São duas investigações uma com o Núcleo e outra que está atualmente sob a responsabilidade do Hélio Rubens, promotor de Parauapebas. Uma investiga a prefeitura, licitações e desapropriações; e a minha, e do Hélio Rubens, investiga licitações contratos com a câmara de vereadores, e aí nas duas investigações foram solicitadas buscas e apreensões”. O procurador falou também a respeito das prisões. “Aí nos juntamos as duas pedi os mandados de busca e apreensão para a desembargadora Nazaré Gouvêa e o promotor Hélio Rubens pediu para o juiz da comarca de Parauapebas, Líbio Araújo Moura. Os dois magistrados deferiram as buscas e apreensões e nós fomos executar com o apoio do Gaeco”.

As investigações da operação continuam e já apontam para novas suspeitas, como explica o procurador Nelson Medrado: “Agora a documentação está toda aqui em Belém, vamos levar para o Instituto Médico Legal, para o Tribunal de Contas do Município, alguns documentos serão analisados aqui mesmo no Ministério Público, já tivemos uma visão durante a operação que existem provas de outros crimes tanto no âmbito da administração pública municipal quanto no âmbito do legislativo de Parauapebas. Então, a investigação deve ser expandida e outros procedimentos vão ser abertos”.

Transferência

Após ter sido examinado pelo médico do Ministério Público do Estado Allan Rendeiro, o parlamentar Odilon Rocha (que alegou não poder ser transferido para Belém por apresentar problemas de saúde), foi liberado e chegou nesta manhã à capital. Em sua chegada foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de corpo delito e em seguida será encaminhado pela Susipe à casa penal Anastácio das Neves.

Repórter – Além das pessoas que foram presas até o momento, existem outros investigados?

Medrado – Sim, toda a mesa diretora da Câmara e secretários municipais estão sendo investigados. As desapropriações contaram com a colaboração de comerciantes, empresários e é uma rede grande. Na realidade existem fortes indícios da presença de uma organização criminosa estruturada que está gravitando no poder legislativo e no poder executivo lá em Parauapebas.

Repórter – O volume grande de armas e munições sob posse dos acusados tem relação com essa suposta rede criminosa?

Nelson Medrado – Não, é em outro nível. Muitas pessoas ainda não tomaram a consciência do estatuto do desarmamento e ainda tem em suas residências armas para supostamente usar numa defesa pessoal, mas corre o risco porque atualmente para se portar arma tem que se submeter ao registro da arma, obter a permissão para uso da arma, senão o indivíduo pode ser preso, as pessoas teimam em ignorar.

Repórter – O Odilon é o principal mentor do esquema criminoso?

Medrado – É um dos principais. Existe uma associação de pessoas do status dele, nós acreditamos, atualmente para saquear o erário.

Repórter – E o prefeito?

Medrado – Faz parte, mas não tem pedido de prisão, porque nesta fase inicial o tribunal não tem o benefício da prisão. Tem que haver uma denúncia, ou se ficar configurada ameaça às testemunhas.

Repórter – Mas está provado que existe uma articulação entre executivo e legislativo para saquear o erário?

Medrado – Uma prefeitura que recebe muito recurso, mas está sob ameaça de corte de energia elétrica em todos os prédios públicos, não paga há quatro meses as faturas de energia de hospital e escola, precisa ser investigada.

Repórter – Todos os presos estão indo para a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará – Susipe?

Medrado – Não. O comerciante (Boi de Ouro) irá para a carceragem comum, os dois vereadores, por serem servidores públicos, serão encaminhados para a penitenciária “Anastácio das Neves”, em Americano para uma ala específica. (mppa.com.br)

 

Se Odilon fosse vereador na Suécia iria morrer de fome

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Foto: Bariloche Silva

Se há alguém que queira se candidatar a deputado na Suécia, que se prepare para ter mais sacrifícios do que benesses: usufruirá de um pequeno (minúsculo mesmo, ainda mais para os padrões brasileiros) apartamento funcional na cidade onde trabalhará — e isso só se sua cidade de origem ficar a mais de 50 quilômetros de Estocolmo; nada de assessor particular, muito menos equipe de gabinete — o máximo são algumas pessoas disponibilizadas ao partido para ajudar o conjunto de seus parlamentares; carro oficial? Dificilmente, e estritamente para missões em que isso se fizer necessário; motorista particular, nem pensar; verba indenizatória, aquela usada para fins diversos? Sem chance. E se pensar em ser vereador, que tenha disposição e disponibilidade para realizar um bom trabalho. E voluntário (talvez Odilon Rocha, o vereador inconformado de Parauapebas, não se agradasse da ideia).

Para concluir: será de bom tom que o político saiba lavar e passar sua própria roupa — para o caso de ser desafiado a demonstrar suas habilidades domésticas em talk-shows, como ocorreu com Fredrik Rein­feldt. Primeiro-ministro de 2006 a 2014, ele periodicamente ia à TV para dar dicas de como fazer a faxina em casa.

Nos casos relatados em “Um País Sem Excelências e Mordomias”, o que mais se vê são autoridades suecas — cujos equivalentes no Brasil costumam ser tratados por todos com salamaleques — fazendo compras no supermercado (como o citado Carl Bildt, ex-primeiro-ministro e então ministro das Relações Exteriores), pegando a fila do ônibus (Sten Nordin, prefeito de Estocolmo), pedalando e depois pegando um trem para chegar ao trabalho (Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia), ou ainda trocando os pneus do próprio carro (Hans Blix, ex-primeiro-ministro e ex-chefe de inspetores da ONU, conhecido por ter desafiado os Estados Unidos quando da invasão do Iraque, sustentando que lá não havia as armas de destruição em massa aludidas por George W. Bush para justificar o ataque).

Fonte: Elder Dias / CTOnLine

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