Parceria entre Governo do Pará e OLIVIA garante Casamento Comunitário Homoafetivo

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De vestido vermelho, a autônoma Kelly Ferrão, 40, segurando a mão da noiva, a auxiliar de serviços gerais Suzana Pantoja, 35, não continha nos olhos a emoção pelo que estava por vir. “Chegamos aqui na luta, na raça mesmo. Estar aqui é um desafio vencido”, confirmou, minutos antes de participar da 5ª edição do Casamento Comunitário Homoafetivo, realizado na sexta (5,) no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Para (ICJ-UFPA).

Além de Kelly e Suzana, outros dez casais de homens e mulheres gays, lésbicas, bissexuais e transexuais puderam oficializar, juridicamente, a relação estável, ou aos que queiram, apenas fazer a renovação dos votos. Embora não estivesse lotado, o espaço pareceu, diversas vezes, pequeno para comportar tanta emoção, orgulho e a certeza de que o amor sempre vence.

Kelly Ferrão não conteve as lágrimas ao segurar a mão da noiva Suzana Pantoja

O ato ocorreu por conta de uma parceria entre a Organização da Livre Identidade e Orientação Sexual do Pará (Olivia) e governo do Estado, por meio do Conselho Estadual da Diversidade Sexual, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), e da Defensoria Pública do Pará. Os nubentes não tiveram qualquer gasto com as tramitações jurídicas, e ainda ganharam um coquetel oferecido pela Sejudh, que também custeou todos os valores cartorários.

Construção – Kelly e Suzana vivem juntas há um ano e viram no casamento comunitário uma forma de ajudar a construir uma sociedade menos preconceituosa. Nenhuma das duas tinha familiares presentes ao enlace. “Enfrentamos preconceitos todos os dias, com parentes, com amigos, no trabalho. Mas a gente decidiu viver esse momento único e vamos celebrar”, contou Suzana, que usou um vestido branco.

Secretário adjunto da pasta de Direitos Humanos, Rodrigo Roldan fez questão de enfatizar que o papel da Sejudh é de inteira responsabilidade quando o assunto é toda e qualquer temática relacionada à vulnerabilidade social. “Estamos aqui no intuito de articular e unificar a sociedade, valorizar o amor e a igualdade. Além do direito afetivo, os casais garantem o direito à herança, ao plano de saúde conjunto, à pensão por morte. É uma demanda que eles mesmos nos solicitam”, explicou.

Apoio – O gerente de Proteção à Livre Orientação Sexual da Secretaria, Rafael Ventmiglia, reforça a importância da cerimônia ocorrer logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a lgbtfobia. “O governo do Estado mostra que está preocupado em garantir o acesso dessa população à cidadania e aos direitos humanos, e segue compilando dados que podem ser trabalhados para a criação de ações estratégicas de combate à violência”, relaciona.

Vestida de “noiva cadáver”, Adriana Lopes, 37, escolheu transmitir uma mensagem na hora de se unir legalmente ao seu parceiro de 18 anos de convivência. “Homenageio os lgbts que foram vítimas de crimes de ódio, trago o nome deles e a bandeira do amor. Escolhemos fazer isso de forma conjunta, justamente por vivermos um momento de retrocesso, em que o fascismo toma conta”, protestou.

Cidadania – Para o vice-reitor, Gilmar Pereira, academia é local de difusão de conhecimento e também de amor e respeito. “Essa é nossa batalha diária”, confirmou. A defensora pública Felícia Fiúza, do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos do órgão, relembrou a obrigação em contribuir para que a cidadania seja respeitada em uma sociedade livre e justa para todas.

Anos atrás, o serviço gerais Ferdinando Araújo, 50, foi a um cartório tentar viabilizar uma união estável com o parceiro, o lavador Josias Ferreira, 42. A taxa de R$ 270 cobrada à época assustou. “Nos amamos, mas somos assalariados, não tinha como. Soubemos dessa oportunidade e agarramos com unhas e dentes”, contou. “Muda tudo, né? Alguns olham melhor, outros até com mais preconceito. Mas, lutando, a gente vence”, admitiu o lavador.

União – As parcerias com o governo do Estado e outras frentes são vistas como uma luz no fim do túnel segundo o presidente da Olivia, Gleyson Oliveira. Ele lamentou ter precisado recorrer, durante os preparativos para o casamento, à Delegacia de Crimes Discriminatórios e Homofóbicos para denunciar manifestações de ódio nas redes sociais da ONG nas postagens relacionadas ao evento.

“Mas os casais estão aqui, felizes, alguns mesmo sem as famílias, que não os aceitam, e esse é o nosso pagamento: proporcionar isso. É a ratificação dos direitos humanos de todos nós e os parceiros que nos apoiam são essenciais à luta”, reforçou.

Fotos: Ricardo Amanajás

 

Vestida de ‘noiva cadáver’, Adriana quis transmitir uma mensagem durante o casamento: “Homenageio as vítimas de crime de ódio”
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