Conta sofreu reajuste de 34% em agosto de 2014 e de 3,6% no último dia 2.

Comissão vai formular sugestões para a diminuição dos valores.

20140819_112408Uma audiência pública foi realizada nesta terça-feira (10) na Assembléia Legislativa do Pará (Alepa), em Belém, para discutir os recentes aumentos na conta de energia elétrica no estado. Uma comissão de estudo foi escolhida para analisar documentos, ouvir especialistas e formular sugestões para a diminuição da conta de energia no Pará. A comissão tem prazo de 120 dias para apresentar propostas.

A conta de luz ficou 3,6% mais cara no estado desde o dia 2 de março, quando passou a vigorar a revisão extraordinária aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No último reajuste anual autorizado pela Aneel, em agosto de 2014, a Celpa aumentou o custo da energia em 34%, gerando um grande impacto na inflação, segundo o economista Roberto Sena. “Em menos de seis meses estamos nos aproximando dos 50% de reajuste”, disse o economista. Durante o ano de 2015 poderá ocorrer um novo aumento, de acordo com o reajuste ordinário anual aprovado pela Aneel.

Caravanas vindas de vários municípios do estado trouxeram consumidores insatisfeitos à audiência pública. O autônomo Evandro Sacramento veio de Tucuruí, e reclamou do valor da conta de energia, que dobrou em relação ao mês de janeiro e chegou a mais de R$ 500 em fevereiro. “Eu ganho R$ 800, eu tiro para comprar 1kg de carne, o arroz, a farinha, aí acaba todo o dinheiro. De onde a gente vai tirar para pagar uma conta dessas?”, lamentou o autônomo.

Para o deputado Márcio Miranda, presidente da Alepa, a ação dos parlamentares vai se basear nas propostas apresentadas pela comissão de estudos. “Para abrir uma CPI você precisa ter um fato determinante. A busca disso se dará dentro da comissão de estudo e dentro da frente parlamentar. Aí eles vão encontrar dados, números e orientar um caminho para o parlamento”, afirma Miranda.

Segundo o gerente da Celpa Armando Nascimento, a principal causa do aumento é a seca que atinge o país. “Estamos infelizmente em um momento de crise hídrica no país, uma seca sem precedentes. Isso fez uma parcela, que é bastante significativa, da tarifa de energia elétrica precisar ser recomposta. Essa recomposição gerou tanto o sistema de bandeiras tarifárias, que tornou a energia mais cara entre janeiro e fevereiro desse ano, como também esse reajuste tarifário extraordinário que foi concedido exclusivamente para essa parcela da tarifa, que cuida justamente do pagamento da geração e transmissão de eletricidade”, detalha o gerente.

Fonte: G1 Pará