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Detran: sindicato anuncia greve

Na manhã da última sexta-feira (22), em Belém, servidores do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA) decidiram entrar em greve a partir de 00h da próxima quinta-feira (28). Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Trânsito do Pará (Sindtran), Elison Oliveira, a paralisação vai atingir todos os 50 municípios que possuem sede do Detran, inclusive Marabá, deixando de atender cerca de 5 mil pessoas por dia.

Elison justifica que a categoria não teve outra opção se não a greve, já que se esgotaram todas as tentativas de tentar resolver a situação deles com o governo do Estado. Segundo o diretor, há meses que o sindicato da categoria vinha procurando debater a pauta de reivindicações da classe, mas o Estado nunca sentou para negociar.

Detran ParalizaçãoDe acordo com o sindicalista, as reivindicações da categoria passam, além da perspectiva financeira e pessoal, por melhorias institucionais. Uma das principais reclamações é a recuperação do valor total da Gratificação de Tempo integral (GTI), que teria sido cortada pela metade nos últimos anos. Antes o valor pago era de 70% em relação ao salário base e atualmente é de 35%.

“A situação no interior está precária. Sem estrutura adequada, seja tecnológica, predial e até mesmo mobiliária, os servidores estão sem condições de desemprenhar um bom trabalho”, pontua o sindicalista.

detran1-22-05-2015-12-01-29A categoria pede ainda a realização de novo concurso público na instituição e reorganização em sua estrutura administrativa, além da estrutura física. “Ao todo, o Detran possui cerca de 1.350 servidores que fazem parte do quadro oficial. Essas pessoas precisam de condições para trabalhar melhor e atender a população”,  diz ele, computando ainda que o órgão possui ainda mais 300 servidores comissionados.

Outro pedido da categoria é o pagamento de auxílio contra risco de morte ou agressão, já que os agentes acabam expostos em blitz, operações e outras ações do Detran.  Segundo ele, a gratificação de risco de vida não é equiparada com outros órgãos de segurança pública, como é o caso do Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.  “Queremos que seja de 20%, como o governo nos prometeu”.

Eles querem também a reposição de 25% do auxílio alimentação, reajustando para R$ 786,25 e o aumento no valor das diárias para R$ 180. Segundo Elison, a classe teve perdas com o auxílio alimentação, reduzido para R$ 200,00 e congelado nos últimos seis anos.

Estrutura precária

Segundo ele, cada dia fica mais difícil trabalhar com as condições oferecidas nas unidades do Detran, tanto na capital como  no interior do Estado. “O Detran não vem atendendo a contento a população, que reclama principalmente na demora no atendimento e no prazo de entrega dos documentos”, ressalta.

As péssima condições de estruturas das unidades do Detran, diz ele,  acaba fazendo com que a população culpe o servidor pelo mal atendimento. “As condições de trabalho estão precárias. Há um sucateamento crescente nos últimos quatros anos, uma incapacidade operacional do Detran para garantir a mobilidade urbana eficiente e segurança no trânsito”.

detran f_grevedetran1Para ele, além do Detran não dispor de estrutura necessária para atender a população, ainda desvaloriza o seu servidor. “O servidor é mal remunerado, bem diferente do que muitos pensam e o governo propaga”, garante, revelando que o salário dos servidores é inferior a dois salários mínimos.

De acordo com ele, em recente reunião em Brasília, o Departamento Nacional de Trânsito informou que o Pará é o terceiro trânsito mais violento do Brasil. “Essa é a nossa realidade”, lamenta.

Ele destaca que o Detran arrecada por ano cerca de R$ 400 milhões  e está entre os 10 departamentos de trânsito do Brasil que mais arrecadam. No entanto, esse recurso não se reverte em investimentos para melhorar o setor e muito menos valorizar o servidor. “Estamos entre os que mais arrecadam, porém despontamos como um dos piores do País em infraestrutura e número de servidores”, lamenta.

Até a próxima quinta-feira, data do início da greve, os servidores prometem fazer diversos atos em frente à sede da autarquia em Belém, e frente ao Centro Integrado do Governo (CIG) e Secretaria de Estado de Administração (Sead).

Elison diz que vai tentar manter 30% dos servidores trabalhando. No entanto, ele diz que há uma revolta grande dos servidores e não sabe se isso será cumprindo. “Não tenho como precisar isso agora”, justificou.

Segundo ele, o sindicato nesse período que antecede a greve vai buscar o diálogo com Estado. “Nós estamos abertos à negociação. Vamos ver qual vai ser posicionamento do governo agora”.

(Tina Santos)

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