Produção do cajá: 220 toneladas do fruto foram colhidas em 2014

Os agricultores paraenses estão animados para a colheita de taperebá no estado, que começa a aumentar nesta época do ano. No município de Curionópolis, no sudeste do Pará, a atividade se destaca. Somente em 2014 foram colhidas 220 toneladas do fruto na região. Rico em vitamina c, o taperebá da Amazônia é conhecido também como cajá no resto do Brasil.

Eliel Almeida em seu sítio

Eliel Almeida em seu sítio

A colheita do taperebá vai até o fim de março. Os produtores estão animados e esperam que neste ano a produção da fruta ultrapasse 230 toneladas. Para o ex-garimpeiro Eliel Almeida, que também é dono de um pomar variado, o taperebá seja o ouro do momento. “Vou deixar de herança para as minhas filhas. Vou trabalhar até onde eu puder, quando eu for, fica para elas. Para mim, isso é uma curtição, eu estar zelando das frutas, sabendo que um dia elas vão produzir e me dar renda”.

Colheita
Os taperebazeiros são nativos e se destacam no meio do pasto. Algumas árvores com até 30 metros de altura se adaptaram bem ao clima quente e úmido da região. Todos os dias, os agricultores Raimundo e Edmilson vão cedo para uma propriedade particular e coletam as frutas que caem no chão. Com a colheita, eles esperam aumentar a renda.

“Quando os pés de cajá começam a aflorar, a gente já fica alegre”, conta Raimundo da Silva. “Todo ano, nesse período, a gente está pronto para entrar na batalha do cajá. Cajá aqui é nativo e o proprietário faz a liberação da área para que possamos colher o cajá na época da safra”, diz Edmilson de Souza. No ano passado, Edmilson foi o agricultor de Curionópolis que mais colheu o fruto, atingindo uma colheita de quase oito toneladas.

O taperebá fica pouco tempo na casa dos agricultores. Os compradores já sabem que a safra é rápida, dura em média dois meses. Na casa de Raimundo, parte da produção é beneficiada e Regiane Lima, esposa do agricultor, é quem prepara a polpa da fruta. O quilo é vendido a R$ 6. “Dá para ajudar nas despesas da casa”, diz a dona de casa.

No sítio de José Ferreira tem 70 pés de taperebá. Ele chega a colher até 600 quilos da fruta por semana e garante um dinheirinho a mais. “No dia que eu tiro para fazer polpa produzo a faixa de 100 quilos, 120 quilos, dá para as despesas do dia a dia”.

Produção
A Cooperativa de Produtores Rurais da Região de Carajás, que fica em Parauapebas, comprou toda a produção do fruto de Curionópolis no ano passado. Em 2015, a fábrica já beneficiou 194 toneladas de taperebá vindas do município, mas o presidente da cooperativa teve que cancelar a compra de mais frutos. “Ano passado conseguimos comprar só 130 toneladas. Esse ano já compramos 194 e não conseguimos comprar 100% da produção por falta de espaço de armazenamento”, afirmou Mauro Melo.

Em uma parte da fábrica é preciso touca na cabeça. Quando a fruta chega no local passa por um processo de resfriamento. Em seguida é feita a polpa. Nos últimos dois meses foram empacotados, por dia, uma média de cinco mil quilos de polpa da fruta. “A gente entrega na merenda escolar e isso é um fortalecimento muito grande para a agricultura familiar da região. Hoje nós estamos com 50 freezers em 50 supermercados e fornecemos para as panificadoras, hotéis e lanchonetes da nossa região”, disse Mauro.

Toneladas de polpa de cajá estão armazenadas em três câmaras frias na cooperativa. Conservado em uma temperatura de 16 graus negativos, o produto pode ser mantido por até um ano.

Fonte: G1 – Pará